Uma carta sobre metas

15 de fevereiro de 2018
crédito: https://www.instagram.com/guilherme_bandeira/

Sou uma das pessoas que tiveram a oportunidade de alimentar um sonho desde tenra idade. “O que você quer ser quando crescer?". Não importava quantas coisas mais legais aparecessem na minha frente, ser veterinária sempre ia vir como primeira opção e isso ia sim ser realizado, independente do que viesse a acontecer, nada ia me impedir. 


Mas, convenhamos, há circunstâncias alheias a nós. A realidade se torna complicada e, em dada ocasião, foi frustrante terminar o ensino médio e perceber que saber qual curso eu ia querer não era sinônimo de entrar para a faculdade no ano posterior. Não importava se eu era uma pessoa legal, tivesse boas notas ou seja lá o que mais, existiam n fatores que fariam eu ter que adiar aquilo; não adiantava chorar, amaldiçoar os céus, se martirizar e se arrastar no chão, eu, simplesmente, não tinha o controle de definir o tempo dos acontecimentos. E, nessas horas, o que fazer? Aceitar.

Tudo bem, tudo bem. Parece meio bobo e dramático agora ter ficado tão mal por isso, mas na época foi assustador ficar pensando que eu não almejava mais nada além de medvet e tudo estava perdido desde então porque não haveriam outras oportunidades, não ia dar certo nunca mais. Eu me recusava a adiar.  Mas, ô, não adianta fazer birra. 

No início foi difícil entender que as coisas são modificadas independente das nossas escolhas e esforços, e não é sábio lutar contra essas mudanças, elas acontecem como tem que acontecer e no tempo delas, nem adiantado, nem atrasado. Não temos noção de como não importa se planejamos algo minuciosamente, aquilo, ainda assim, pode mudar inesperadamente, tomar outra direção. E sabem de uma coisa? Está tudo bem. 

Está tudo bem ter poder apenas no esforço que vamos desempenhar para realizar o que queremos. Está tudo bem ver o tempo das outras pessoas passando em ritmos diferentes. Está tudo bem ter que adiar alguns objetivos. Está tudo bem chorar por não conseguir alcançá-los na primeira tentativa.

O caminho até o destino é mais bonito que o próprio destino. Enquanto as coisas saiam/saem do meu controle e mudam de direção, aprendi que, por mais extremamente difícil que seja, devo me calar e ouvir o que há de ser ensinado. 

Respira.

A vida continua, e, no fim, o destino sempre sabe o que faz. 

Este post faz parte do projeto Cartas, blogagem mensal criada por Sete Coisas + Cupcakeland. Saiba mais sobre o projeto aqui, e confira a carta do Igor aqui

18 comentários:

  1. Oi, Karol. Sabe que, dos 6 aos 16 anos, eu passei falando que ia fazer veterinária? Mas, aí, escolhi o jornalismo. E, acredite, não entrei na faculdade na primeira tentativa, não porque não tinha pontos, mas porque não tinha como pagar (já que eu queria a faculdade particular, por oferecer mais recursos dentro do meu curso). Entrei na faculdade somente quatro anos depois, com meia-bolsa. Ainda assim, foi difícil concluir - não somente por causas financeiras, mas por causa da minha saúde mental, que foi se ferrando cada vez mais lá dentro. A gente tem essa ideia de que, na faculdade, as coisas melhoram, mas a verdade é que piora demais (não que eu esteja tentando fazê-la desistir, só estou falando da realidade - que, na verdade, nunca é dita, né. Esse é o problema). Espero que você realize esse sonho/meta. É mesmo horrível ficar vendo todas as pessoas "passar" à sua frente, enquanto você "fica pra trás". Eu me senti por muito tempo assim e, pra falar a verdade, me sinto assim, às vezes, agora já formada. Mas também acredito demais que cada pessoa tem o seu próprio tempo e que não precisamos ficar nos comparando aos outros, afinal, a vida de ninguém é igual a outra (sem mencionar as oportunidades, né).
    Amei demais sua carta <3

    Love, Nina.
    www.ninaeuma.blogspot.com

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    1. Feliz em ver você aqui, Nina <3
      É estranho como depois a gente para pra pensar em como nos pressionamos pra entrar em uma faculdade e também a ilusão que temos sobre ela. Uma vez eu estava falando com a minha mae sobre precisar urgentemente entrar em uma facul pra poder ficar bem, e ela disse que primeiro eu tinha que ficar bem comigo mesma.
      Existem mais oportunidades por aí, o truque é nunca deixar de acreditar szsz

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  2. Sabia que quando eu era criança sempre dizia que seria veterinária? Sempre adorei bichinhos, mas não sabia que lidar com eles doentes e velhinhos, iria me destruir tanto. Foi aí que percebi que não saberia lidar com essa sensação de muitas vezes ter de aceitar que não podemos fazer mais nada por eles, só dar carinho e aceitar sua partida...
    Foi assim que fui procurando novos rumos, mas demorei bastante pra fazer faculdade, não tive condições de fazer curso que gostaria logo depois da escola, e sempre me batia uma sensação de poxa, fui uma aluna tão compromissada todos esses anos! Enfim, coisas assim acontecem, mas confie, pois uma hora alcançamos aquilo que desejamos <3
    Adorei o texto, me fez refletir bastante!
    um beijo!
    Colorindo Nuvens

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    1. Dai <3 Eu penso demais sobre a morte dos bichinhos e situações de impotencia, e até hoje não sei se eu saberia lidar com isso.
      Fé no Pai que a facul sai haha <3

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  3. Olá!

    Quantas e quantas vezes não nos deparamos com um sonho frustrado ou mesmo com um mudança de planos "obrigatória"? Infelizmente, faz parte da vida. O que nos resta é decidir lutar pelo sonho ou desistir dele. Sempre sonhei em ler e fazer isso sem peso na consciência, porque eu tive uma época que ou eu lia, ou fazia algo da faculdade, ou eu passava tempo com os amigos, ou, ou, ou... Enfim, desde que entrei para o blog, tenho conseguido colocar como meta, da mesma forma que coloco os estudos, a família e os amigos, os livros que sempre quis ler. Parece um exemplo fraco e bobo, mas foi algo que me fez feliz.
    Acho que isso é viver... buscar nossa felicidade, seja no grande sonho ou no pequeno e aproveitar o caminho até lá, como você disse.

    Adorei o seu post, adorei tudo o que disse! Abraços.

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  4. Eu já vi algumas postagens sobre esse projeto e achei bem interessante ler a tua, um texto bem reflexivo e que pode ser a situação de muitas pessoas.

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  5. Olá!
    Durante uma aula de psicologia na faculdade meu professor propôs que fizemos esse projeto, andei com a minha cartinha guardada dentro da carteira durante alguns anos. Seria interessante voltar a fazê-lo, achei ele muito interessante na época e principalmente reflexivo.

    Beijos e abraços Vivi
    http://vickyalmeida.blogspot.com.br/

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  6. A realidade acaba mudando nossos sonhos, não é? Mas isso nem sempre é ruim e como você disse, podemos sempre aprender no caminho.
    Beijos
    Mari
    Pequenos Retalhos

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  7. Oiieee

    É triste quandoa gente se planeja, sonha, e eventos alheios barram isso, acontece na vida de todo mundo, é um sabor bem amargo, mas vida que segue, não pode desanimar, o segredo é arrumar forças e seguir em frente, lutanto e acreditando. Como dizem, é pelos erros e quedas que a gente aprende e infelizmente isso também é verdade.

    Beijos

    www.derepentenoultimolivro.com

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  8. Acho que era isso que eu precisava ler hoje, pra ser sincera, concordo contigo, a gente se espelha muito no sucesso dos outros e acabamos esquecendo de nossas pequenas vitórias, quando na verdade, cada um tem o seu tempo e tudo bem com isso poxa, o lance é respirar e não desistir.

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  9. Olá!

    Sei bem como é ter tudo na mão num momento e no outro, as mãos estão vazias. Desde pequena eu falava em ser professora, mas descobri no ensino médio que isso não era para mim, então migrei para o Jornalismo. Não me arrependo, mas também não me sinto realizada. Enfim, dói ver que todo mundo conseguiu e eu não. Parabéns pela coragem em publicar seus sentimentos.

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  10. Olá, tudo bem?
    Achei muito bom o seu texto, é muito ruim quando nos planejamos para algo e isso não acontece, mas faz parte da vida, das dificuldades e isso serve para nos deixar maduros, para crescermos. Eu por exemplo estudei direito, mas não sou realizado, ao menos por agora, talvez eu ainda consiga ser.
    Abraço!

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  11. Que publicação linda.
    Eu já tive muitas dificuldades para decidir o que fazer e isso era um pesadelo na minha adolescência, pois tinha a cobrança dos meus pais e quase fiz algo que não gosto. Por isso concordo com o que vc disse. É importante aproveitamos e aprendermos com os erros para crescermos. =D E no final tudo dá certo.


    Sai da Minha Lente

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  12. Oi Karoline! Tudo bem?
    Eu entendo tudo o que tu colocou nessa carta até porque eu mesma passei muito tempo inconformada por ainda não estar trabalhando mesmo com todo o currículo que adquiri durante esses seis anos desde que me formei. Ainda, às vezes sinto que não tenho tempo de escrever tudo o que eu gostaria porque simplesmente as ideias não se organizam como eu desejo.
    Abraços e beijos da Lady Trotsky...
    http://galaxiadeideias.com
    http://osvampirosportenhos.blogspot.com

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  13. Olá!
    Acho que todos nós passamos por essa fase né? Já quis ser tantas coisas e ai no final escolhi ser Fisioterapeuta. Amo minha profissão, adoro ver os resultados e trabalhar com meus pacientes, mas a única coisa que me frustra nessa profissão é a remuneração, porém muitas vezes pelo amor que tenho a eles é o que me faz continuar apostando que um dia pode ser diferente.
    Beijos!

    Camila de Moraes

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  14. Olá, primeiramente adorei seu texto, passar por essa fase onde algumas metas/sonhos acabam não se realizando ajuda a nos tornamos mais fortes e entender que as vezes mesmo querendo muito algo nem sempre vai ser possivel tê-lo...

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  15. Oi Karol, tudo bem?
    Nem sempre conseguimos seguir aquilo que idealizamos quando eramos crianças, mas são vários os fatores e contingencias que nos fazem mudar de opinião e não vejo isso como algo ruim, mas como sinal de amadurecimento. Quando somos crianças criamos um mundo romântico quando nos vemos adultos, romantizamos profissões e situações que quando nos tornamos adultos, percebemos que o mundo não é bem assim e levamos um choque de realidade, ou de acordo com sua imagem, um murro mesmo! rsrsrsr Adorei o post!

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  16. Adoro o trabalho do Objetos Inanimados, são sempre tirinhas muito realistas.
    Gostei bastante do seu projeto de cartas, pelo que percebi somos duas pessoas bem diferentes, por isso não posso comentar muito bem o que você passou, pois temos vivências diferentes.
    Mas posso dizer que bom que você chegou até aqui e desejo cada dia mais forças para que você possa seguir em frente e chegar cada vez mais longe.
    Beijos ♥

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